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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Comprinhas em Buenos Aires: Okko, Morph e Falabella

Eu não poderia voltar de Buenos Aires sem visitar essas três lojas que adoro! E é claro que não resisti e trouxe alguns objetos decorativos que achei por lá…

Vasculhando as prateleiras da loja Okko, encontrei esses “asteriscos” em metal fosco que pensei em usar como peso para guardanapos. Sinceramente, não sei se essa é a função original do objeto, mas gostei do design e do uso que resolvi dar a ele. Adoro guardanapos com padronagens bem vibrantes e coloridas e já tinha esses dois modelos em casa, comprados na Etna e no Hortifruti, respectivamente.

Também encontrei essa pequena bandeja retangular em metal fosco e as duas colheres médias na Okko. Gostei da textura do metal que dá um ar rústico às peças.

Detalhe da textura das peças em close.

Vocês lembram do primeiro post sobre os preparativos para a primeira degustação de cervejas lá em casa? Eu gostaria de ter dado um abridor de garrafas diferente como brinde aos convidados, mas na época, não encontrei nada que tivesse um design interessante a preços acessíveis. E eis que em Buenos Aires encontro esses abridores fofos, lúdicos e verdes (minha cor preferida) a 4,90 Pesos, ou seja, 2,50 Reais. Comprei 9 unidades, um pra mim e oito para distribuir na próxima degustação!!!!! E eles ainda podem ser usados como chaveiro!

Por fim, encontrei esses garfinhos para aperitivos em metal cromado com design bem “clean” e formas sinuosas. Minha irmã Flávia também levou uma caixinha pra casa.

OKKO
http://www.okko.com.ar/

Encontrei essas bandejas de vidro com detalhe de bolinhas coloridas enfileiradas, na loja Morph, que fica no shopping Buenos Aires Design, no bairro da Recoleta. Foi paixão à primeira vista!!!

Comprei uma bandeja retangular pequena e duas quadradas maiores. Estou louca pra usá-las na próxima festinha! Acho que essa da foto acima pode ser usada como base para servir um rocambole ou um bolo de rolo, por exemplo.

A fileira de bolinhas coloridas não faz toda a diferença na peça? Achei um charme!

MORPH
http://www.morph.com.ar/site/index.php

Essa outra peça de vidro que pode ser usada como fruteira, prato fundo ou bandeja, foi comprada por 14 Pesos = 7 Reais, na loja Falabella, que fica na Calle Florida, rua de pedestres que é o coração da cidade. Vou ver se consigo preparar essa salada caprese que a Keka mostrou para estrear o prato e publico o resultado aqui!

Na Falabella, você encontra eletrodomésticos, roupas, acessórios, objetos de decoração, produtos gourmet, bebidas etc. São várias lojas na mesma rua, divididas por essas especialidades. Foi na seção de bijuterias que encontrei essa pulseira indiana pintada à mão. Adoro peças artesanais bem coloridas, tanto pra casa quanto para o uso pessoal.

FALABELLA
http://www.falabella.com.ar/webapp/commerce/command/ExecMacro/falabella/macros/home.d2w/report

Além dessas três lojas encantadoras, também conheci alguns camelôs que vendiam cachecóis bem interessantes e comprei esses dois modelos por vinte pesos = dez reais cada.

E não dá pra voltar da Argentina sem trazer, ou pelo menos experimentar, o doce de leite que é produzido por lá. É delicioso e só mesmo provando pra ter ideia da diferença dos produtos nacionais. A Patagonian Life é minha marca preferida, que ganhei de presente da sogra há alguns meses. Quando vi o produto num estande no Free Shop, não pensei duas vezes e trouxe um vidro pra casa e outro para os amigos do trabalho.

Esse é meu último post antes das férias. Como de costume, estou ansiosa, empolgada e tensa ao mesmo tempo… espero que tudo corra bem e que eu volte da viagem bem relaxada e animada para começar com muita energia o ano de 2010!!!!

Mas não pensem que vocês vão se livrar de mim tão rápido!!!! Deixei alguns pequenos posts programados para essas duas semanas, além de ter selecionado dois convidados interessantíssimos para apresentar a vocês. O primeiro vai fazer um relato sobre sua última viagem a dois países bem exóticos e a segunda é uma designer e ilustradora super talentosa que produz objetos incríveis. Eles estarão esperando vocês aqui!!!!!

Mil beijos, um Feliz Natal e uma passagem de ano bem animada com muitas realizações pessoais e profissionais para todos em 2010!!!! Agradeço muito o carinho e gentileza que recebo através dos comentários e e-mails! Espero que possa retribuir esse afeto de alguma maneira!

Bonfa ass

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aventuras gastronômicas em Buenos Aires: Buller Pub, Sucre e Happenning

Estou de volta de uma viagem curtinha à Argentina. Aproveitamos a visita da minha irmã para juntar a família inteirinha e partir para uma aventura de três dias em Buenos Aires. Uma das coisas que mais gosto de fazer na vida depois de viajar, é comer e aproveitamos a valorização do Real para conhecermos ou voltarmos em alguns restaurantes recomendados por amigos. Nesse post, escrevo sobre três deles.

Essa é a tábua de degustação das cervejas produzidas no Buller Pub, uma microcervejaria artesanal, que funciona desde 1999 no bairro nobre da Recoleta, que fica na zona norte de Buenos Aires. Estive pela primeira vez no local em 2003, retornei no ano passado e essa foi minha terceira experiência nesse bar/restaurante charmoso, que serve belisquetes gostosos e cervejas maravilhosas! Dessa vez preferimos nos sentar ao ar livre para aproveitar o lindo dia de sol, mas há várias outras opções nos dois andares do bar.

Acho muito legal a ideia desse jogo americano feito de papel reciclado, contendo um esquema ilustrado de como é feita a produção artesanal da cerveja, assim como a descrição dos seis tipos da bebida produzida na cervejaria. São os seguintes (com descrição em espanhol que retirei do site da empresa):

Light Lager
El estilo más difundido en el mundo. La versión Buller se caracteriza por su frescura, sabor y aroma que le otorgan los lúpulos europeos utilizados. Es una cerveza de bajo amargor y su contenido alcóholico es de 4.5°. De color dorado pálido, se sirve muy carbonatada, es ideal para refrescarse.

Cream Pale Ale
Cerveza color cobre con buen cuerpo y consistencia cremosa (es nitrogenada). Posee maltas de tipo caramelo y especiada con lúpulos tradicionales ingleses. Posee tonos frutales muy marcados, producto de esteres extraídos de los lúpulos y la fermentación alta. Es ligeramente amarga.

India Pale Ale

Un estilo que nació en el siglo XVIII en Inglaterra para las tropas británicas que estaban en la India. Se creó una cerveza fuerte para que sobreviva a la larga travesía a que estaba destinada. Altamente lupulada.
Lo que podrás degustar en Buller posee un alto nivel de amargor con una sensación placentera producto de la variedad de lúpulos alemanes utilizados. Su graduación alcohólica es de 6.0° y un color que pasa del oro al cobre claro. Es ideal para aquellos que quieren explorar aromas desconocidos y los amantes del sabor amargo.

Oktoberfest
Tiene su origen en la celebración de la cosecha de la cebada en Baviera, Alemania. En su preparación se utilizan altas proporciones de malta Viena y Munich, lo cuál le imprime un fuerte carácter a malta y un bajo nivel de amargor. El contenido alcohólico es moderado, 5.5°. Es ideal para los que buscan explorar sabores a malta complejos.

Honey Beer
Esta versión goza de gran popularidad entre los clientes de Buller. Su base de elaboración es malta y miel. La miel de exportación que utilizamos proviene del sur de Buenos Aires.
Es un estilo poco lupulizado, con un alto nivel de graduación alcohólica, 8.5°. El color es dorado pálido y el nivel de corbonatación es medio para poder apreciar el carácter de la miel. Es ideal para los que buscan nuevas experiencias en el paladar.

Dry Stout
Es uno de los estilos típicos irlandeses, con un amargor elevado, producto de los lúpulos y maltas tostados utilizadas. En Buller posee un perfil de sabores más amplio y complejo, sobresalen el tostado, café y caramelo quemado. Usamos 8 variedades de malta y nitrogenamos para darle una consistencia cremosa y hacerla más apetecible. La graduación alcohólica es de 5.8°. Es ideal para los amantes de la cerveza negra y aquellos que quieren explorar sabores aportados por el tostado de las maltas.

A cerveja da foto acima é do tipo Weiss Bier, feita de trigo, e foi a preferida pelo pessoal da mesa. Não sei porque ela não estava listada no jogo americano.

Já na minha opinião, a Dry Stout é a mais gostosa, encorpada e com uma espuma bastante densa e cremosa. Aprovadíssima! Temos uma nacional parecida que é a Colorado Demoiselle, uma porter de alta fermentação que leva café e foi medalha de ouro em sua categoria, em 2008, no European Beer Star, importante concurso internacional de que participaram 688 rótulos de 17 países (informação retirada do blog Sabor & Alquimia).

Havíamos comprado ingressos para um show de tango com jantar incluído na casa de shows Señor Tango à noite e por isso, preferimos pedir várias entradas no almoço, ao invés de refeições completas. Começamos por uma porção de presunto cru, que estava delicioso e cortado bem fininho.

Adoro comida mexicana e não consegui resistir a esse prato de nachos temperados com chili, feijões, guacamole, sour cream, queijo e molho pico de galo.

Minha irmã pediu essa panela com fajitas de frango douradas e acompanhadas de feijões, arroz amarelo, guacamole e sour cream.

É difícil dizer do que gostamos mais. Estava tudo bem gostoso, mas pouco apimentado.

Meu pai optou pelas chicken wings com molho barbecue e onion rings empanadas.

Minha mãe não quis se arriscar e pediu uma pizza meio Margherita/meio Classic Di Nappole, que veio com fatias de tomate e alho… muito boa opção!!!

BULLER PUB
http://www.bullerpub.com/
Presidente R. M. Ortiz 1827 (entre Guido y Av. Quintana)
Tel: 4808-9061

Minha irmã mais nova, que aparece na foto acima, havia recebido a recomendação de conhecer o Sucre, restaurante muito elogiado por uma revista levada pela minha outra irmã, e também presente no blog Destemperados, que adoro e sempre consulto.

Gostei da fachada do restaurante por ser simples, despretensiosa e sofisticada ao mesmo tempo. As linhas retas e a entrada discreta me agradaram.

Uma coisa que achei muito simpática é a cozinha aberta para o salão principal, onde os comensais podem observar tudo o que está sendo preparado. É um espetáculo à parte e acho que a integração cozinha/salão ficou muito bem resolvida esteticamente.

Adorei esse bar com design bem contemporâneo que, apesar de “clean”, é muito aconchegante. Sabem que eu adoro um piso de madeira, né? A mistura de madeira, vidro, metal, couro e fibras naturais me conquista sempre! Reparem que as prateleiras repletas de garrafas continuam até o teto do restaurante, que tem pé direito bem alto. O mezanino dá acesso aos banheiros no segundo piso.

Eu e Marcelo preferimos começar bebendo a cerveja Quilmes, a mais tradicional da Argentina, encontrada em praticamente todos os bares.

O bom de sair para almoçar com um grupo grande é poder pedir várias entradas e provar de tudo um pouco. Foi o que fizemos, já que éramos 8 adultos e uma criança. A primeira delícia que experimentamos foi a Provoleta de cabra a la plancha, con aceite y hierbas frescas. Como adoro queijo de cabra, eu tinha certeza de que iria amar esse queijo cremoso com crosta dourada e temperada com ervas frescas.

O Tiradito de salmón (marinado en el momento, jugo de lima, chiles y aceite de oliva) também fez sucesso e era uma espécie de ceviche feito com salmão.

Essa foi minha entrada preferida, estava simplesmente perfeita e divina! Trata-se da Tart Tatin de tomates asados y mozzarella de búfala (masa de hojaldre casera, recula selvática, cebolla confit y vinagreta de olivas).

Risotto con hongos de pino y rúcula selvática (tomates secos, naranja, perejil, manteca y queso regianito). Um dos meus cunhados pediu esse risoto, que tinha apresentação bem bonita, mas um sabor um pouco adocicado demais pro meu paladar.

O Ojo de bife (a la parrilla, con papas Nury y chimichurri dulce) foi o prato que escolhi. Delicioso! A carne estava deliciosamente temperada com chimichurri e macia e as batatas (que mais parecem bananas na foto), estavam crocantes por fora e macias por dentro. Recomendo bastante!

A Bondiola de cerdo (a la parrilla con mojito rojo y batatas fritas) foi o prato pedido pelo Marcelo, que adorou as batatas doces fritas e a carne de porco. Parece que o prato é o carro-chefe da casa.

Apesar de não ser muito ligada em doces, quando li a descrição dessa sobremesa, tive que experimentá-la. O Clafoutti tibio de membrillos caseros y avellanas (espuma de vino malbec, escamas de queso manchego y helado de crema) é algo de outro mundo. Adoro frutas vermelhas e estava curiosa pra saber o que era a tal espuma de vinho Malbec, que tinha consistência de mousse e um sabor bem interessante. Se vocês forem ao Sucre, não deixem de pedir essa maravilha!!!!

SUCRE
http://www.sucrerestaurant.com.ar/sucre/default.htm

Conheci o Happenning na primeira vez que estive em Buenos Aires numa noite bem chuvosa. Se me lembro bem, era nossa última noite na cidade e queríamos jantar num restaurante bonitinho, apesar da grana estar no finalzinho. Eu e Marcelo paramos na porta do restaurante em Puerto Madero, mas achamos que tinha um estilo sofisticado demais e que não era pro nosso bico. Entretanto, antes de procurar outro lugar pra comer, decidimos dar uma espiadinha no cardápio e eis que havia um menu com preço fechado de 37 pesos por pessoa que incluía entrada, prato principal, sobremesa e meia garrafa de vinho. O peso já valia menos do que o Real e achamos que valia a pena experimentar.

Gostamos bastante do jantar e decidimos voltar dessa vez com a família toda. Meu pai também já conhecia e gostava do restaurante, que não faz parte dos mais recomendados em nenhum dos guias e revistas especializadas que já vi. Sinceramente, não entendo o porquê. A comida é ótima, os preços são honestos e o lugar é bastante simpático e aconchegante, com um amplo salão interno e uma varanda bem agradável.

Na entrada do restaurante, há uma mesa cheia de queijos e aperitivos que os clientes podem colocar no prato e que é cobrado como couvert.

Detalhe dos aperitivos e dos pratos brancos altos com pés torneados que amei!!!!!

Minha irmã Flávia fazendo pose para a foto ao lado da mesa cheia de tentações…

Tirei essa foto da carta de vinhos porque achei muito interessante a capa forrada com tecido listrado.

O meu pedido foi esse filé mignon (lomo) coberto com molho de vinho e pimenta, acompanhado de batatas gratinadas no molho cremoso. Simplesmente sensacional!!!! Mas só conseguir comer metade do prato, o bife era enooooorme!!!!

Essa é a agradável varanda com vista para o rio em Puerto Madero.

Eu tive que tirar uma foto do banheiro do restaurante, que achei interessante por causa dessa “mesa” redonda bem no meio do local com duas pias uma de frente para a outra. As paredes são de pedra e os metais são todos cromados. Há uma parede inteira espelhada e a iluminação é suave e amarelada. Admiro locais assim, onde a gente percebe o cuidado com cada detalhe e nenhum cantinho é esquecido.

HAPPENNING
http://www.guiaoleo.com.ar/detail.php?ID=252

E agora, vamos ao sorteio do presentinho que trarei de Paris????? Com vocês, meu sobrinho fofo Gabriel, de quem já estou morrendo de saudades:


O número 7 pertence à Katia Barbosa. Parabéns, xará!!!!!! Lembrem-se que a contagem foi feita de trás para frente, do seguidor mais antigo para o mais novo. Katia, se quiser, deixe um comentário nesse post ou, se preferir, mande uma mensagem para o katiabonfadini@gmail.com me passando seu endereço para a entrega do presentinho. Prometo que vou caprichar!!!!

Um beijo para todos e até sexta-feira, quando mostrarei algumas das comprinhas que fiz nessa curta passagem por Buenos Aires. Como o Real anda bem valorizado por lá, deu pra trazer peças muito legais por um preço bastante em conta!!!

Bonfa ass

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Aventuras gastronômicas parte III: cozinha patagônica e cervejas para todos os gostos!

Tenho que começar esse post dizendo que adoro uma cerveja bem geladinha. Só que eu não ligo muito pro tipo Pilsen ou a "loira", que é a mais comum no Brasil. Eu prefiro cerveja forte, encorpada e aromática. E, de preferência, de coloração escura: âmbar, vermelha ou preta. Meus tipos preferidos são a Porter e a Stout. Felizmente, hoje em dia, estão surgindo no mercado brasileiro várias cervejas nacionais feitas artesanalmente. Mas ainda custam caro. E é por isso que quando viajo, gosto de provar marcas diferentes e a cada dia escolhemos algumas pra degustar. Descobrimos que a Argentina tem farta produção de cervejas artesanais com as características que mais gosto e aproveitei bem essa viagem para experimentar várias delas!

Esse post é, na verdade, um guia com sugestões de restaurantes e bares que conhecemos na viagem à Patagônia no final do ano passado. Alguns deles estão recomendados nos conceituados guias de viagem Frommer´s e Lonely Planet, que minhas primas levaram na mala; outros foram descobertos meio sem querer por nós mesmos. Mas posso garantir que todos testamos e aprovamos cada um desses lugares charmosos.

Assim que chegamos ao centro comercial de El Calafate, avistamos esse espaço bonitinho onde, ao fundo, eu notei a ilustração de uma ovelha negra bem gaiata. Nos aproximamos pra descobrir que se tratava de um bar descolado chamado La Oveja Negra, claro! Pedimos o cardápio e constatamos que lá havia uma boa variedade de cervejas, tanto em termos de marcas quanto de tipos. Começamos pedindo a cerveja artesanal local, Gülmen do tipo Weiss (Cerveza de Trigo), a Negra Porter e a Roja Pale Ale; e em seguida, a Otromundo Golden Ale. Eu gostei mais da Porter e da Roja e o Marcelo preferiu a de trigo, que é o tipo que ele mais gosta mesmo. Levamos um folheto pra casa como recodação do bar.

LA OVEJA NEGRA: Av. del Libertador 1315 - Local 9, El Calafate, Argentina


Ah, lembrei de uma coisa simpática que vimos nesse bar e em todos os outros nessa viagem: como cortesia, uma porção de amendoim, pipoca e/ou azeitonas eram colocados na mesa antes de pedirmos as cervejas. Achei esse gesto tão simpático e atencioso, talvez por não estar acostumada a ver isso por aqui no Rio. É uma gentileza com o cliente e tem um custo irrisório para o dono do estabelecimento. Quando estivemos no México, a cortesia de entrada era, na maioria das vezes, uma porção generosa de tortilla chips com 2 ou 3 molhos apimentados. Nos bares dos Estados Unidos, sempre encontrei amendoins condimentados, mini-pretzles ou um mix de biscoitinhos. Espero que essa moda pegue aqui!

Horas depois de provar as cervejas, bateu aquela fome de comida gostosa e resolvemos procurar uma pizzaria. Demos uma volta no centro, que é pequeno, e nos simpatizamos com uma casinha vermelha onde lia-se no letreiro La Lechuza. A casa oferecia 35 sabores de pizzas feitas no forno à lenha e escolhemos uma com quatro queijos, dos quais não lembro os nomes. Só sei que não eram os nossos tradicionais queijos. A combinação foi bem gostosa e, acompanhada de um bom vinho, o resultado da nossa primeira noite na cidade foi muito satisfatório.

LA LECHUZA: Avenida del Libertador 1301, El Calafate, Argentina



No dia seguinte, depois de terminado o passeio ao Perito Moreno, voltamos à cidade pra recomeçar nossas experiências gastronômicas. Como no dia anterior, procuramos primeiro um um bar: o café literário Borges Y Alvarez, onde haviam estantes cheias de livros que podiam ser manuseados pelos clientes. Foi nesse lugar que me apaixonei à primeira vista pela cerveja Antares!!!!! Primeiro pedi a tipo Barley Wine, que é uma cerveja forte e intensa. Viva e frutada, por vezes doce, por vezes ácida, é, no entanto, sempre altamente alcoólica. Cerveja forte e doce não é uma combinação que me agrada. Nesse caso, prefiro as assumidamente doces, como as Fruit beers, que são cervejas leves e de baixo teor alcóolico com adição de suco de frutas, tipo a Mongozo ou então, a do tipo Lambic, Mort Subite. Depois, pedi uma Antares Imperial Stout e o Marcelo experimentou a Antares Kölsch: dourada, frutada e leve. Assim que tomei o primeiro gole da Imperial, percebi que era a melhor cerveja que já tinha provado. Infelizmente ainda não a encontrei aqui no rio, mas acho que pode ser ncontrada nos estados do sul. Muito saborosa e cremosa, sua descrição comercial é a seguinte:

Uma cerveja muito escura, com intenso sabor torrado. Os maltes utilizados são torrados até atingirem cor semelhante à de torradas queimadas, cacau ou café. Infusionam-se à Antares Imperial Stout aromas doces de tabaco e uvas passas com notas queimadas e alcóolicas para se produzir um intenso buquê.

BORGES Y ALVAREZ: Av. Del Libertador 1015 - Local 27, El Calafate, Argentina



Depois de pagar a conta, circulamos um pouco pelos arredores para escolher um restaurante. Tanto a mãe do Marcelo quanto meus pais, que já haviam estado na Patagônia, sugeriram que provássemos o típico assado de cordeiro, e não poderíamos sair de lá sem degustar essa iguaria. Optamos pelo restaurante Mi Viejo, que deixava exposta na vitrine uma grande carcaça de cordeiro sendo assada na hora. O cheirinho era bom demais e resolvemos arriscar. De entrada, como cortesia, veio uma cesta de pães acompanhada de um patê de filé mignon delicioso. O Marcelo pediu o churrasco de cordeiro e eu optei por uma versão mais elaborada, acompanhado por batatas e molho de cogumelos. Todos os dois estavam ótimos e o cordeiro definitivamente tem que estar na lista de quem visitar essa região!

MI VIEJO: Av. Del Libertador 1015 - Local 27, El Calafate, Argentina



E assim terminou nosso segundo dia em El Calafate. Minhas primas chegaram à cidade no dia seguinte, mas só nos encontramos à noite no hotel e saímos juntos pra procurar um lugar pra jantar. Todos estavam a fim de uma comidinha italiana e, ao pesquisarmos o cardápio do La Cocina, vimos que era exatamente o que estávamos procurando. O restaurante estava cheio mas conseguimos a última mesa. Havia a opção de montar um prato de massa personalizado escolhendo o molho e o recheio. Eu pedi uma massa recheada com presunto de parma e parmesão acompanhado de molho cremoso de cogumelos e alho poró. As massas estavam muito gostosas e o rapaz que nos atendeu era extremanente simpático e divertido. Tiramos até uma foto com ele na entrada do restaurante, mas não a coloqui aqui porque saiu muito tremida.

LA COCINA: Av. Del Libertador 1245, El Calafate, Argentina



Nossa refeição seguinte aconteceu em Puerto Natales, no Chile. Chegamos no hotel por volta das 17:30h, muito cedo para jantar. Então resolvemos explorar a cidade e procurar um restaurante que oferecesse uma ceia natalina. Tivemos um pouco de dificuldade porque a cidade é bem pequena e muitos restaurantes só reabririam depois das festas. Depois de muito procurar, encontramos dois restaurantes bonitinhos que exibiam o menu da ceia na porta de entrada. Optamos pelo Afrigonia, que de acordo com o jornalzinho local distribuído no hotel, era um dos melhores restaurantes da cidade. Falando assim, pode parecer que o restaurante era luxuoso e caro, mas isso está bem longe da verdade. A cidade é muito simples e o restaurante idem e, além disso, bem apertadinho. Conseguimos reservar uma das últimas mesas e, antes de voltar ao hotel para nos arrumarmos, resolvemos experimentar nossa primeira cerveja chilena num bar ali perto. Pedimos a Austral Calafate Ale, que leva em sua composição o calafate, fruta vermelha típica da região. Não me agradou muito por ser adocicada.



Às 20 hs em ponto estávamos diante do Afrigonia e fomos os primeiros clientes da noite. Um detalhe curioso sobre o restaurante é que seus proprietários Kamal Nawaz, nativo de Zâmbia e Nathalie Reffer, chilena, se conheceram na África, iniciaram um romance e decidiram abrir o Afrigonia em Puerto Natales pensando numa fusão da culinária africana com a chilena. A Ceia de Natal começou bem. Recebemos uma taça com a bebida típica chilena: o Pisco Sour. Parece com nossa caipirinha mas, no lugar da cachaça, leva um aguardente chamado pisco e um pouco de clara de ovo pra dar uma consistência mais densa à bebida. Antes da entrada, foram servidas mini ciabattas com molho apimentado. Como entrada, creme de centolla e saladinha de tomate, rúcula e queijo de cabra. O prato principal do Marcelo foi peru recheado com castanhas sobre maçãs sautée e molho de gengibre. O meu prato e das minhas primas era composto de kebab de salmão com molho cremoso de camarões e abacaxi gratinado. A sobremesa flambada foi muffin de banana com calda de cranberries. E no final, um mimo: Pan de Páscua, que é a versão chilena do nosso panetone. Achei uma delícia, a massa era bem molhadinha e recheada de nozes, amêndoas, passas, canela e especiarias. Antes de pagarmos a conta, mais uma surpresa: ganhamos uma taça de espumante para brindarmos à noite. Resultado: comida deliciosa, fresca e criativa, além da companhia agradável, ótimo vinho e uma experiência natalina diferente. Foi a primeira vez que passei o Natal fora de casa e longe da família.

AFRIGONIA: Eberhard 343, Puerto Natales, Chile



Depois da visita ao parque Torres del Paine, voltamos ao hotel pra trocar de roupa a fim de aproveitar nosso segundo e último dia em terras chilenas. Como o passeio ao parque incluiu um farto almoço, não estávamos com muita fome e então procuramos um bar para beliscar alguma coisa enquanto degutávamos outras cervejas locais. Descobrimos um bar/restaurante/pousada moderninho chamado Aqua Terra e vimos que havia no cardápio uma salada de Centolla ou King Crab. Trata-se de um siri gigantesco, digamos assim. É típico de águas bem frias, somete encontrado nessa região ou no Alasca. Tal qual o cordeiro patagônico, nos foi recomendado que que não deixássemos a Patagônia sem provar um prato feito com centolla. Os preços eram normalmente salgadíssimos, mas no Aqua Terra, a salada tinha um valor razoável e resolvemos pedi-la. Confesso que achei o bicho meio sem graça. Talvez porque prefira pratos cremosos, com bastante molho e tempero. Mas valeu a experiência. Gostosa mesmo estava a quesadilla com molho de tomte picante que pedimos antes da salada. Brindamos nosso último dia em Puerto Natales com Pisco, que estava menos doce que o do Afrigonia e levava angostura. Depois pedi uma Antares Imperial Stout (maravilhosa!) e terminamos a noite dividindo uma garrafa de vinho tinto.

AQUA TERRA: Avenida Bulnes 299, Puerto Natales, Chile www.aquaterrapatagonia.com



De volta à Argentina, pegamos um vôo para Ushuaia, que fica a 1 hora de distância. Nossa primeira experiência gastronômica lá talvez tenha sido a melhor de toda a viagem. Um dos restaurantes recomendados pelos guias de viagem era o Gustino. O restaurante é grande, bonito e os pratos são muito saborosos e bem servidos. Lá experimentei pela primeira vez a cerveja Beagle, enquanto o Marcelo e as meninas tomaram vinho. De entrada, pedimos uma deliciosa mousse de parmesão com tomate seco e ervas. O prato do Marcelo foi cordeiro fueguino recheado com presunto de parma feito no molho de Syrah com batatas andinas, brócolis e cogumelos Portobello. A apresentação era linda! O prato que eu e minhas primas escolhemos foi triangoli negro de salmão defumado com molho cremoso de alho poró com um toque de kirsh. Maravilhoso também! Com certeza é um lugar que recomendo e voltaria várias vezes para experimentar outros pratos.

GUSTINO: Av. Maipú, 505, Ushuaia, Argentina http://www.gustino.com.ar/



No dia seguinte, jantamos em outro restaurante recomendado num dos guias de viagem, o Tante Nina. Conseguimos uma mesa perto da janela que dava para o porto. Pensamos em pedir um prato de centolla, mas os preços nos detiveram. Um prato individual feito com o super siri custava, em média, 80 reais! Pedimos então um medalhão de mignon com molho de vinho e mostarda coberto com lascas de amendoas sob finas batatas sautée. Estava delicioso, muito macio e suculento! Foi uma das refeições que mais gostei em toda a viagem. De sobremesa, dividimos um brownie com sorvete de creme e calda de frutas vermelhas. Achei linda a escultura de caramelo em cima do sorvete, com vocês podem conferir na foto abaixo.

TANTE NINA: Godoy 15, Ushuaia, Argentina http://www.tanteninarestaurant.com.ar/



Todos os dias eu conferia a programação e roteiro da viagem e no penúltimo dia em Ushuaia, estava escrito o seguinte:

10º DIA: USHUAIA - Expedição em 4x4 Lago Fagnano e Escondido
Sairemos de nosso hotel em veículos off road em direção a Cordilheira Martial e ao Paso Garibaldi. Seguiremos então por trilhas em meio a bosques de lengas cruzando riachos até o lago Fagnano, o maior da Terra do Fogo, com mais de 100 kms de extensão. No caminho poderemos observar a fauna e a flora locais além da ação dos castores na região. Nas margens do lago faremos um pic-nic com churrasco fueguino e vinho. No retorno, aproveitaremos para conhecer o lago Escondido, aos pés da cordilheira, onde os mais animados poderão praticar canoagem. No início da noite, retorno para ao hotel.


O passeio foi bem legal e tivemos uma boa surpresa: o tal pic-nic era, na verdade, um churrasco (ou parrilla) feito dentro de uma casa particular, toda construída em madeira e vidro e com grandes janelas que davam para um vasto campo verde. E nós éramos os únicos na excursão!!!! Adoramos a experiência e fomos muito bem recebidos pela dona da casa. De entrada, havia queijo, presunto, pães e molhos. Depois assamos alguns legumes junto com as carnes. Para acompanhar o churrasco, havia vinho e refrigerante. Bom, o vinho não era lá grande coisa, mas serviu pra amenizar o frio, assim como a lareira... Não havia sobremesa, mas uma mesa com chá, café e alfajores estava à nossa disposição. Foi um passeio muito agradável que fez com que eu me sentisse em casa, bem recebida e aconchegada. Recomendo!



Segundo o guia Frommer´s, outro lugar que deveríamos conhecer era o Ramos Generales. O edifício onde funciona o bar/café foi construído em 1906 e funcionou durante muitos anos como um típico armazém, encarregado de prover não só produtos alimentícios, mas também roupas, ferramentas, utilidades domésticas, bebidas e etc. A decoração é composta por muitas prateleiras que vão até o teto ornamentadas de garrafas e latas antigas, além de embalagens de biscoitos, pastas e cereais que não existem mais há muitas décadas. O banheiro é uma atração à parte, decorado de maneira bem rústica, com bacias de metal no lugar das pias. As meninas tomaram capuccino e comeram torta. Eu e marcelo dividimos um sanduíche de presunto e pedimos cerveja, claro!!! Eu tomei a minha favorita Antares Imperial Stout e ele pediu o trio de degustação da cerveja Cape Horn (Stout, Pilsner e Pale Ale), mais uma das nossas boas descobertas.

Ramos Generales: Maipú, 749 - Ushuaia, Argentina



Retornando do passeio de teleférico na neve, que comentei no primeiro post da série, descemos com as malas e ficamos no saguão do hotel esperando a van que nos levaria ao aeroporto rumo à Buenos Aires. Ainda restava mais de uma hora para o horário marcado e decidimos fazer uma visita ao bar. O Marcelo perguntou quais as cervejas disponíveis e a atendente respondeu que só havia "cerveza ahumada", o senhor vai querer? Marcelo respondeu que sim, embora não tivesse a mínima idéia do que isso significava. Mas bastou o primeiro gole pra gente descobrir que ahumada quer dizer defumada! Causou estranheza no início, mas depois de alguns goles, concluí que gostei da cerveja e pedimos mais duas, uma rubia (loura) e outra roja (vermelha). O nome da cerveja é Hain.


Assim terminaram nossas aventuras gastronômicas na deslumbrante região da Patagônia. Mas como sempre gostamos de levar um pedacinho dos lugares que visitamos pra casa, resolvemos fazê-lo dessa vez em forma de comida... Compramos três patês típicos da região: javali com cogumelos, cordeiro com menta e cervo defumado. Todos muito gostosos. Ah, e também trouxemos um potinho de mostarda com cerveja, que ainda está intacto lá em casa. Podemos abri-lo na próxima happy hour, que tal?


Deixo pra vocês uma receita do Pan de Páscua chileno que amei e a gente se vê de novo na semana que vem!



Ingredientes
250g de gordura vegetal
250g de açucar de confeiteiro peneirado
6 ovos
1 xícara (chá) de leite morno
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
raspas de casca de 1 laranja
1 colher (chá) de cravo em pó
1 colher (sopa) de canela em pó
1 xícara (café) de licor de café
1 colher cheia (sopa) de fermento em pó
50g de frutas cristalizadas
50g de nozes picadas
50g de uvas passas
3 colheres (sopa) de cerejas picadas
600g de farinha de trigo

Modo de Fazer
Bata a gordura vegetal e o açúcar de confeiteiro até obter um creme.Adicione a casca ralada de laranja, o cravo e a canela. Em seguida, adicione o licor e o fermento, misture bem.Acrescente as frutas cristalizadas, as passas, as nozes e a cereja.Misture bem, aos poucos, a farinha de trigo.Coloque em formas de panetone (1/2kg), e deixe crescer.Asse em forno médio, previamente aquecido.Decore com glacé.


CERVEJAS

Para saber mais sobre os diferentes tipos de cerveja e suas características, recomendo esse site: http://www.brejas.com.br/cerveja.shtml
Para experimentar cervejas importadas aqui no Rio de Janeiro, recomendo os seguintes bares:

Lapa Irish Pub
Rua Evaristo da Veiga, 147 - Lapa
Tel.: 2221.7236
a partir de 17:00 hs
www.lapairishpub.com.br

Herr Brauer
Rua Barão do Flamengo, nº 35, Loja O, Flamengo - Rio de Janeiro
Segunda-feira abre apenas para o almoço, de 11:30hs às 16:00hs; terça à domingo de 11:30hs às 00:00hs, podendo ir até 02:00hs.

Belgian Beer Paradise
RJ: Rua Visconde de Pirajá, 580 SL 213 – Ipanema – Rio de Janeiro
Tel.: (21) 3256-2595 / 3256-2594Beer
SP: Rua Inhambu, 385 SL 16 – Moema – São Paulo
Tel.: (11) 3596-7190 / 3596-7150
http://www.beerparadise.com.br/index.asp

Aconchego Carioca
Rua Barão de Iguatemi, 388 (em frente a rua Santa Filomena)
Praça da Bandeira, Rio de Janeiro, RJ
Tel. 2273.1035
Horário: 12h/0h (sáb. e dom. até 18h; fecha seg.)

Para encontrar uma boa variedade de cervejas pagando um pouco menos do que nos bares, recomendo esse mercado:
Farinha Pura
Rua Voluntários da Pátria 446 – loja 01
Cobal do Humaitá – Botafogo
CEP 22270-010
Rio de Janeiro – RJ